quinta-feira, setembro 15, 2005

Antes que a chuva caia na seara por vir,
um arado passarei na terra túmida querendo ser fecundada.
Chuva, em gota pequena ou bátega abundante, vem brincar molhada nos meus campos
exudando suores telúricos que lembram dilúvios passados entranhados na memória das areias feitas pedras pedrinhas.
chuva esquecida destes outrora férteis vergéis não sejas mazinha...
vem, vem em enxurrada lavar a cicatriz árida que teima em não sarar,
vem, vem fecundar esta terra ciosa do teu líquido vital.
e quando as cascatas cantarem em véus de noiva disfarçadas,
quando os riachos tímidos em rios bravios se tornarem,
quando as criaturas desesperadas reclamarem de tamanha abundância,
não ligues e junta-te ao sol unindo a terra em arcos-iris múltiplos,
lembranças de lugares onde por vezes te abrigas, amuada, e deixas a terra sedenta...
chuva, chuva, chuvinha
canto para ti esta canção de desembalar, não vás esquecer-te de novo de acordar...