quarta-feira, junho 22, 2005

o tempo de ser sol abrasador é chegado
e não há como adiar ser de novo friagem entranhada na tessitura emaranhada da tela pintada dia-a-dia.
o fruto reconhecido amadurece efusivamente no galho menos improvável, na altura mais inacessível.
a folhagem descansa na tórrida ausência de manobras do vento que não passa.
a onda tremelitante de miragem feita suspende-se ao longe
e engana os incautos aventureiros perdidos no asfalto da desventura.
da sinfonia das águas correntes já nada se ouve,
ecos tardios de abundância sonhada em rios de seca,
testemunhas de sonoridades já só imaginadas ou guardadas em memórias velhas.
a paisagem calcinada e ferida de má sorte consome-se querendo ser pasto de esperança,
sendo-o só de chamas.

o tempo de ser morte chegou e tudo ceifou...
tudo adormece ferido da desdita da sorte de ser massa
nas mãos de um arquitecto que não sabe desenhar com amor
nem reconhece que as árvores morrem de pé.

2 Comments:

Blogger moon between golden stars said...

É tempo de renascer... de erguer os corpos outrora prostrados, perdidos num tempo sem tempo...
É tempo de nos deixarmos guiar pelo destino...

Um abraço

10:26 p.m.  
Blogger Unknown said...

Antes que as árvores caiam sem raízes, dá um salto até
http://kimboio.blogspot.com/2005/07/kraakaum-poperocke.html

Hugzzz abrasadores

11:00 a.m.  

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