segunda-feira, junho 13, 2005

Das marés adiadas se faz tarde a hora...

no eu vazante que sou
em vão vislumbro a linha sem horizonte
que me resgatará da escuridão em que caí.

No areal revolto da praia da minha alma
quebram-se as ondas de paixão
pejadas de escombros de vidas sonhadas
azuis artifícios da imaginação febril
restos desirmanados de naufrágios mil,
em segredo mantidos.

na chuva de prata que banha a minha noite
nenhum raio me toca com benfazeja magia.
não há estrada por onde seguir
sem que um beco persista em existir
a cada volta roubada ao linear fluir da desdita.

E o faroleiro triste e ensimesmado
num gesto estudado perscrutou o horizonte.
não vendo embarcação alguma a candeia apagou
e condenou ao naufrágio um amor...

a onda brava quebra-se na areia
aí depositando letras deslavadas
que um dia falaram da dor de amar sem amor.

[aos que amam sem amor]