Não te queixes ao vento dos seus desmandos errantes
que em remoinho picado revolvem as folhas secas pousadas na alma,
esquecidas da sua existência na árvore frondosa, no ramo mais alto,
ao sol de primaveras, verões e outonos inolvidáveis!
Não te inebries com a chuva perfumada,
poeira de água fina que se entrenha no viver
a cada dia pressentido na teia fina da aranha ou no canto saciado da cigarra,
e te canta lengalengas enganosas sobre a sua força de rio por cumprir,
galgador de margens recatadas.
Não te espantes com o silêncio que ouvirás no tumulto parado da tempestade,
quando o vazio do tempo encher o teu ser de espera
e prenhe de nada desejarás parir o universo que tarda em ser alvorada no ocaso que agora és tu.
E sobretudo não te canses de ser horizonte
e de abrigar em ti a imensidão da esperança, em constelações fantásticas inscrita,
ponte alada de ti em arco botante
lançado num gesto de acolhimento recolhido de quem sabe que um dia tudo em mim se fundirá em ti.
ouvirás, então, por quem os sinos dobram.
AD. 2005-0-08
que em remoinho picado revolvem as folhas secas pousadas na alma,
esquecidas da sua existência na árvore frondosa, no ramo mais alto,
ao sol de primaveras, verões e outonos inolvidáveis!
Não te inebries com a chuva perfumada,
poeira de água fina que se entrenha no viver
a cada dia pressentido na teia fina da aranha ou no canto saciado da cigarra,
e te canta lengalengas enganosas sobre a sua força de rio por cumprir,
galgador de margens recatadas.
Não te espantes com o silêncio que ouvirás no tumulto parado da tempestade,
quando o vazio do tempo encher o teu ser de espera
e prenhe de nada desejarás parir o universo que tarda em ser alvorada no ocaso que agora és tu.
E sobretudo não te canses de ser horizonte
e de abrigar em ti a imensidão da esperança, em constelações fantásticas inscrita,
ponte alada de ti em arco botante
lançado num gesto de acolhimento recolhido de quem sabe que um dia tudo em mim se fundirá em ti.
ouvirás, então, por quem os sinos dobram.
AD. 2005-0-08

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