No tronco do sobreiro
está a sua história retratada
contada nas voltas da casca rugosa
que afago carinhosamente
na troca de segredos.
A tua paciência sábia
guarda memórias de estios intermináveis
e de invernias insuportáveis.
E no meu tronco gravas
essas impressões indeléveis
e dás-me memória que não tinha, amigo sobreiro...
Fico mais sábio e mais capaz...

No gume da asa
está a história do voo
da ave ou da nave
E das almas capazes de o fazer...
o salto sem tempo,
dos tempos que perfazem uma vida
dos lapsos de que não há registo,
passagens para universos paralelos
de zeros e infinitos,
algoritmos de uma existência pensada no absoluto.
A memória de ti
não a encontro já
poeira que és...
chão sem rasto nem pegada,
superfície estéril,
de recusa em recusa confinada ao chão da tua solidão!
A memória de mim...
é o sobreiro e a asa ...
sem ti...
Livre de ser...

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