quarta-feira, abril 06, 2005

Sou ponte alada do meu desejo,
asa delta em voo rumo ao salto sem pé.
Na névoa vislumbro um céu prometedor
cumprido no sonho de o sonhar.
Sou linha recta tangente ao que é rente em ti,
paralela assimétrica do desejo de ser tu,
elipse desgovernada da razão de não ser eu!
Trapézio do fio da navalha,
cortante secante do não querer,
queda livre sem paraquedas na rede furada do não existir.
Dúvida lacinante no embate inevitável,
azul repentino,
helicóidal certeza em espiral de negação.
Vã glória de amar,
império adiado e nunca cumprido.
Abandonado sentir,
eu esfumado.
Ponte alada para a névoa,
adeus em mim realizado,
Nunca por mim esperado.