segunda-feira, novembro 01, 2004



Na madrugada da dor

o pôr-do-sol é o nascente,

escuro e vazio do calor que aquece as almas e a Criação.

Estou a sentir a chuva cair no meu coração,

inundado de emoção.

Deixei de ser o vento ligeiro e brincalhão

que faz rir a passarada,

e faz cócegas nos ramos das árvores atrevidas.

Deixei de ser brisa que refresca a erva cansada do estio

e que humedece a língua da víbora mansa.

Um dia quis ser amigo de um anjo.

Um dia cheguei mesmo a pensar que o ia ser para sempre.

Um dia..acordei e o anjo esquecera-se de mim.

Outro dia nascera para ele e eu não estava ali.

Nesse dia, parti sem mim,

à procura dos pedaços que deixei por aí

quando ainda gostava de ti, anjo esquecido.