Na madrugada da dor
o pôr-do-sol é o nascente,
escuro e vazio do calor que aquece as almas e a Criação.
Estou a sentir a chuva cair no meu coração,
inundado de emoção.
Deixei de ser o vento ligeiro e brincalhão
que faz rir a passarada,
e faz cócegas nos ramos das árvores atrevidas.
Deixei de ser brisa que refresca a erva cansada do estio
e que humedece a língua da víbora mansa.
Um dia quis ser amigo de um anjo.
Um dia cheguei mesmo a pensar que o ia ser para sempre.
Um dia..acordei e o anjo esquecera-se de mim.
Outro dia nascera para ele e eu não estava ali.
Nesse dia, parti sem mim,
à procura dos pedaços que deixei por aí
quando ainda gostava de ti, anjo esquecido.

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