terça-feira, outubro 26, 2004



Já não ouço as árvores

falando do afago do vento maroto

em dia de calmaria,

ou da bofetada da rajada

em dia de ventania.

Já não escuto o cântico da passarada,

contente em voar livremente,

saltitar de ramo em ramo

e de árvore em árvore,

como no principio da Criação!

Já não vejo o esquilo brincalhão

desafiar-me para uma corrida,

trepando até ao ramo mais alto,

saltando e descendo de novo!

E o regato melodioso

que me embalava e acompanhava...

onde está ele agora, que já não escuto a sua música?

A nuvem, outrora amiga,

é agora escura e impura.

Tapa as estrelas que me guiam

e o sol que me aquece.

Chovem ácidas mágoas,

Desesperos químicos que não pediram!



E eu olho-me surpreendido,

E pergunto-me arrependido:

Que fiz eu???



[a fervença, um paraíso onde ainda ouço as árvores...]

1 Comments:

Blogger Joao said...

Lindo. Tão profundo...
Mas ao mm tempo, tão desesperado...
Á tanto tempo que não dizes nada...
Espero que estejas bem. Depois falamos...
Abraços grandes

1:59 a.m.  

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