Já não ouço as árvores
falando do afago do vento maroto
em dia de calmaria,
ou da bofetada da rajada
em dia de ventania.
Já não escuto o cântico da passarada,
contente em voar livremente,
saltitar de ramo em ramo
e de árvore em árvore,
como no principio da Criação!
Já não vejo o esquilo brincalhão
desafiar-me para uma corrida,
trepando até ao ramo mais alto,
saltando e descendo de novo!
E o regato melodioso
que me embalava e acompanhava...
onde está ele agora, que já não escuto a sua música?
A nuvem, outrora amiga,
é agora escura e impura.
Tapa as estrelas que me guiam
e o sol que me aquece.
Chovem ácidas mágoas,
Desesperos químicos que não pediram!
E eu olho-me surpreendido,
E pergunto-me arrependido:
Que fiz eu???
[a fervença, um paraíso onde ainda ouço as árvores...]

1 Comments:
Lindo. Tão profundo...
Mas ao mm tempo, tão desesperado...
Á tanto tempo que não dizes nada...
Espero que estejas bem. Depois falamos...
Abraços grandes
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