terça-feira, março 29, 2005

O que tiver que passar
que passe leve e breve,
como a neve alva
que mal toca o chão se derrete.
Saiba eu também ser chão que a absorva
seiva vivificante para o florescer.

O que tiver que ficar que fique
e não complique o existir,
pois a neve cai sempre,
nos himalaias ou kilimanjaros das nossas existências,
e basta esperar o tempo ameno
para que se formem cascatas
e as águas das nossas vidas corram possantes
cruzando outros cursos e renovando velhos.

Quem quiser esperar pela vida aprisione-se, então, numa barragem,
albufeira de promessa insatisfeita,
água limosa e parada.

Cuidado, então, para que em a esperando
ela não passe sem que se torne corrente.