quinta-feira, outubro 27, 2005

Ainda que não pergunte, leio no desenho espontâneo das areias da praia o destino que antes de ser já era meu, teu,
de um qualquer pedaço de estrela, poeira imemorial recriada hoje e agora para cumprir a premente visibilidade às almas destinada.

E na arenal carta lerei, mesmo sem saber ler, do destino dos camaleões
e dos deuses na sua infatigável marcha rumo ao eterno agora longínquo.
E ainda que nada digas, ouvir-te-ei no silêncio cantado,
e escutarei o rasto de dor que na alegria de não seres semeias no areal do meu ser.

Adivinharei então que na calada do dia também se escondem a lua e as estrelas
à espera da altura de subirem ao firmamento e se juntarem ao breu sem fundo dos pontos luminosos que povoam o firmamento.

Morrerei assim sem ter visto o florescer do sol no amanhecer atrasado de uma vida a caminho de saber viver.