A minha memória de árvore
Está plantada nas areias douradas das miragens do Namibe
Embondeiro e mácua, welvitchia miriabilis..
Ou então nas acácias rubras
Que conhecem o zunir do marimbondo
E o afago do bico do colibri,
Ou ainda nas casuarinas
Que ecoam a cantiga do vento
Que mansamente as afaga e conta segredos.
A minha memória de água
Está na corrente do Kwanza másculo
E na onda violenta que varre o areal
Da praia Azul e da praia Amélia,
Na chuva torrencial que emprenha os riachos da Leba e da Chela
E os faz parir tragédias...
A minha memória de ar
Está no cheiro intenso da terra suada
A respirar depois da enxurrada,
E no odor intenso da goiaba, da manga, da nocha e do mirangolo
Apodrecendo ao sol intenso...
A minha memória de terra...perdi-a um dia,
quando ainda menino disse adeus chorando...
à minha África.

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