Hoje o céu abriu-se para me acolher.
Melodiosamente se despiu de nuvens,
Brevemente transformadas em renques de árvores,
Que delicadamente se curvavam para me saudar, carinhosamente.
Ouvi depois o silvo agudo do grito da águia
Reclamando a sua altura, o seu trono solitário.
Chamei-a
E as suas asas foram minhas por instantes,
Num voo de assombro vertiginoso.
Olhei então para cima,
E vi-me onda colorida,
Arco com iris e tudo,
Ponte alada que voava para a luz
Que vorazmente se escoava para o negrume de um ponto final.
Silenciosamente,
Fechei os olhos
E repus a miragem da paisagem estelar
No horizonte manchado de azul do meu olhar.

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