terça-feira, agosto 31, 2004

Hoje o céu abriu-se para me acolher.


Melodiosamente se despiu de nuvens,


Brevemente transformadas em renques de árvores,


Que delicadamente se curvavam para me saudar, carinhosamente.


Ouvi depois o silvo agudo do grito da águia


Reclamando a sua altura, o seu trono solitário.


Chamei-a


E as suas asas foram minhas por instantes,


Num voo de assombro vertiginoso.


Olhei então para cima,


E vi-me onda colorida,


Arco com iris e tudo,


Ponte alada que voava para a luz


Que vorazmente se escoava para o negrume de um ponto final.


Silenciosamente,


Fechei os olhos


E repus a miragem da paisagem estelar


No horizonte manchado de azul do meu olhar.