No mar profundo abro os olhos
E vejo-me flutuar em mim.
Transparente, líquido, ondulante,
O meu corpo liquefeito voga ao sabor da corrente.
Fluído, atravesso o coral, que sente e suspira.
Dou-lhe um sopro beijo e ele arrepia-se.
Depois, monto no dorso da jamanta...
E cavalgo louco pelas planícies ondulantes do fundo do
mar.
O cavalo marinho, meu rival, assusta-se e foge.
Digo-lhe adeus.
Sou vaga, sou bolha, sou ondulação,
Sou a imensidão azul que cobre o meu mundo
Fora deste outro meu mundo.

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