domingo, agosto 01, 2004

Savana


E o capim ondulante,

Roçando levemente o meu corpo de menino,

Sussurrava-me languidamente:

-Onde vais, meu menino?


Eu ouvia este murmúrio,

E perscrutava o horizonte com o olhar

Procurando a voz que me interpelava.


Em vão o fazia.


E o vento ondulante,

Agitava a onda vegetal

Que se abatia sobre mim,

Fustigando-me o corpo,

Acariciando-me os membros.


Sem medo,

Perguntava ao capim onde me levava.

Em vão o fazia.


E o vento murmurava baixinho:

-O capim é que sabe...


E eu ouvia, mas não entendia.


Ao fundo,

Na clareira que só ainda adivinhava,

A vedação da farm gritou alto:

-Estou aqui!!!!


Entao soube que chegara...


Olhei para trás,

para o capim,

E vi-o dobrar-se

E dizer quase chorando:



-Volta, meu menino! Gosto de ti!!!