terça-feira, março 21, 2006

No vento chega a voz que não esconde os segredos
e que te diz que não sobra nada quando tudo é feito de nada.
No vento passa o fio de voz que tece nós que teimam em urdir tramas na tessitura da alma
presa num tear impossível.
No vento escoam-se vontades subitas de razões polares
em fuga permanente ao jugo da emoção.

e o vento passa... e cala tudo o que é em mim serena espera de ser corrente de ar ascendente.
e o vento apaga o pigmento que há em mim,
deixando-me nu.
Assim...

4 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Transparente como a água
que corre em cascata,
turbilhão
silencioso de emoções,
no sol...na chuva...no vento
"nu assim"
mergulhas em ti!

Um beijo grande,
Helena de Vasconcelos

(21-22 de Março 2006)

2:04 a.m.  
Anonymous Anónimo said...

A nudez é um convite... À entrega... Ao rasgar de uma luz cintilante, que não encandeia... Que faz ver mais longe... Para além do horizonte da retina.

11:20 p.m.  
Blogger moon between golden stars said...

Lindo!!! com sempre...
bom fim de semana!!!

12:47 p.m.  
Anonymous Anónimo said...

Voo cruzado sobre muitas palavras...

As tensões (in)reveladas oscilam entre a necessidade de se exporem e uma quase contenção que grita e se avoluma com recurso a uma imagética que por companhia tem a noite, o vento, a água , o frio, o chão... – telúricas sensações... entre essa experiência de “olhar experimentado” (porque observador) e uma outra que não tem mais que o nada ...o vazio, a queda que se quer por algum motivo, pois espera-a ou adivinha-se um fim algures na interrupção do vazio...o ponto ou materialidade última dessa ausência em queda livre... “para quando ser pedra na funda pujante lançada na voracidade do espaço em busca do alvo? “
As emoções, angústias, anseios... estados de alma... corporizam-se numa sensível procura de imagens - roupagens muito concretas, paleta de cores vivas ou frescas que vestem a palavra e traduzem o que no interior se agita... ou quase tácteis comprometimentos com essa quase matéria que o vento representa...
É uma selecção de textos que nos oferece uma viagem em sentido duplo... para fora e para dentro de nós...
porque poesia... vivifica o sujeito, dá-lhe voz ... despe o autor... torna-o denso em nós... oferece a massa ao contorno... corporiza-o ...
porque poesia... – ainda, ... enriquece o outro sujeito, acorda-o da letargia... abana-o ... mais do que tudo... envaidece-o por sentir-se vivo.
Bom fim de tarde de domingo...
9 de Abril de 2006 – 19.30h

7:34 p.m.  

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