terça-feira, janeiro 10, 2006


Se eu fosse um anjo, num teatro sem cor, à beira do fim,
das asas deixaria de querer o voo fácil sem dor.

na imensa distância do Éden pesar-me-ia o fulgor do olhar cândido do amor
em desencontro eterno com o ardor de pairar sobre um mar de emoção,
fogueira viva em que se consome o grito dos invadidos, vencidos e esquecidos.

anjo caído, anjo perdido,
agora caminhante de um mesmo destino de insatisfação
queimando as entranhas de um coração ainda longe da humana condição.
anjo sem cor,
invoca o azul e em desafio ousa pintar o céu da cor do teu amor.

um dia, anjo de fandinhães
o teu céu, sem cor, será o azul dos olhos que te escrevem
com a emoção de, mesmo à beira do fim, sentirem, sem dor, o voo sublime de um grande amor.

voa, anjo de fandinhães,
redesenha as constelações com a tua pena, na tela do teu sonho
em cores tão garridas como o sorriso da gargalhada sonora que ecoa no firmamento
quando a alegria simples invade o teu espírito.
dança, anjo de fandinhães,
no azul metalizado da lua grande, em movimentos graciosos,
translações em rotação do humor de um anjo gaiato na alma e maroto no amor.

e quando ao cair do pano, no teatro sem cor, pensares, anjo querido, que a paleta da vida te deixou sem cores,
invoca de novo o azul e a Via Láctea iluminar-se-á cintilante num abraço que te trará até mim.

Ousarei, só então, pegar nas asas de anjo e voar até ti, sem dor.

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Viver ...morrer...
renascer na dor
(como um fénix)
de um amor
não eterno ...

Krefeld,11 Jan.2006

Um beijo, Helena de Vasconcelos

10:47 a.m.  
Anonymous Anónimo said...

Sensível, bonito

Parabéns

Um abraço
Anjo

8:52 p.m.  

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